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sábado, 21 de maio de 2011

Livros: segundo capítulo

Depois da luta com o peso das malas em Dublin e de ver que não era mesmo possível fazer a longa viagem que planejamos com mais de vinte quilos de livros, doamos mais da metade para a Oxfam, uma loja de caridade onde trabalhamos como voluntários por quase toda nossa estadia na Irlanda.
Esse foi o problema. Doamos quase todos. Ainda restavam, mais ou menos, dez quilos de livros. Pois é, porque descobri que livros, quando estão em uma estante, se contabilizam pelo número. Mas quando estão dentro de uma mala que precisa ser carregada, só é possível pensar em quilos. E ainda tínhamos em excesso. Tínhamos. Até doarmos tudo para a biblioteca pública de Verona. Não sei se voltaremos lá algum dia, mas quem, por interesse ou necessidade, pegar algum desses livros na biblioteca vai ver: doado por Karina e Thiago, Brasil. Ou brasilianos.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

recapitulando...

Mais de uma semana de viagem já se foi.
Nossos dias em Verona passaram em branco por aqui: a pensão que ficamos não tinha internet e a única lan-house que achamos na cidade estava sempre fechada.
Mas antes de contar sobre a cidade em si, aqui vão nossas primeiras estórias.
Ficamos hospedados em uma pensão, que escolhemos, principalmente, por ser no meio do caminho entre a estação de trem e o centro histórico – pois é, viajar por quatro meses é sinônimo de bagagens pesadas, mesmo no nosso caso, que temos poucas coisas. Depois de dias de sol intenso, Veneza se despediu de nós debaixo de muita chuva – da mesma forma como Verona nos recebeu. Nessas condições, o caminho da estação até a pensão (Arena Artisti) pareceu inacabável.
Quando finalmente chegamos, tivemos uma recepção super amigável da dona casa, Ornela, que mora com seus três lindos gatos (antes que perguntem: é claro que eu me acabei de tanto brincar com eles!) Saímos para almoçar e voltamos para fazer a sesta (ah, esses italianos são tão sensatos, não há como não querer aderir à cultura). Quando voltamos para a pensão, descobrimos que existe uma relativamente grande comunidade budista em Verona e que o ponto de encontro para as três sessões diárias de meditação era... na sala, ao lado do nosso quarto! Com todo o cansaço, dormimos embalados por mantras cantados em uma sincronia invejável. Depois do descanso, os mantras seguiam a todo vapor. Saímos para ver melhor a cidade e, na volta, outra surpresa: ao invés da comunidade budista e seus oms, a sala – lembrando: ao lado do quarto – era agora o espaço de uma festa. Logo pensei que, apesar dos risos altos e falatório, todos deviam estar bebendo chá e falando sobre shacras, nirvana, kundalini e et ceteras do gênero. Que nada. Aceitamos o convite para nos juntarmos ao grupo: vinho, macarrão apimentado, doce com gim. A tal dona da pensão fez, junto com um amigo, a apresentação de uma peça de ópera. Os dois, cantores líricos profissionais, vão se apresentar num teatro da cidade. Nada mal terminar mais de três horas de meditação com uma festa.
E terminamos assim nosso primeiro dia em Verona: exaustos, um pouquinho altos, muito cheios... e felizes.


Arena de Verona