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quinta-feira, 22 de março de 2012

os banhos húngaros

Abastecendo a garrafinha em um dos muitos
"bebedouros públicos" da cidade.
A água vem direto da fonte!
O território húngaro fica exatamente "em cima" de um enorme reservatório de água quente. Como melhor aproveitar essa sorte invejável? Fácil: fazendo piscinas e mais piscinas de água quente e natural. E as  muitas das milhares de nascentes, além de diferentes temperaturas, ainda têm propriedades medicinais - reconhecidas e controladas pelo Ministério da Saúde de lá.

As chamadas "casas de banho" que existem há séculos no país são isso. Esse hábito tão antigo deu à Budapeste o título de cidade do banho e do spa. Passamos uma tarde em uma das maiores da cidade. Acho que foi simplesmente uma  das tardes mais divertidas da minha vida!

Dentro de um enorme parque de Peste, fica o Banho Széchenyi. O prédio amarelo mostarda do início do século XX já vale uma visita. Esse banho combina os enormes corredores com pequenas piscinas de origem romana e a sala com vapor e duchas de água fria de origem turca.

Vista geral da casa de banhos. Dentro do prédio estão as piscinas cobertas, saunas,
a área para banho (precisa?) e o vestiário. A setinha mostra onde fica um tabuleiro de xadrez!

Três enormes piscinas ficam ao ar livre e perdi a conta de quantas são cobertas. Todas as piscinas são abastecidas com água natural e, ao lado de cada uma delas, existe uma placa com a temperatura da água (frisando: a temperatura da água também é natural!) A primeira piscina coberta era pequena e redonda e... a temperatura da água era de 34º! Nos primeiros minutos deu uma tonteirinha, mas foi passando.

Uma das primeiras piscinas cobertas e super quentes que testei.
Deu uma tonteirinha, mas foi tão difícil de sair...
Na "última parte" coberta ficam duas pequenas piscinas, uma bem perto da outra. Antes de ver a temperatura de cada uma, reparei que várias entravam em uma e não ficavam nem um minuto antes de ir para a outra. Pasmem! Temperaturas das piscinas: 20º de um lado e 40º do outro! Os juninhos aqui não encararam o choque térmico - e o pessoal da terceira idade que estava lá firme indo de uma piscina para a outra riu demais da nossa falta de coragem! O choque térmico fica para a próxima, mas testamos os 40º. Nem parece verdade, mas dois graus a mais ou a menos fazem uma diferença enorme!
Plaquinha avisando sobre a temperatura da água.
Tradução do húngaro: "é quente mesmo"!

Também é na área coberta que ficam as saunas. Outra coisa que eu não sabia era que existiam tantos tipos de saunas. Fomos em saunas secas, a vapor, com aroma, com luzes terapêuticas e com fogo! A temperatura desta última ultrapassava os 100º e, mais uma vez, os juninhos aqui não deram conta. Saímos com a mesma rapidez que entramos.


Detalhe em uma das paredes internas do prédio.
Definitivamente, ir em Budapeste e não ir em alguma casa de banhos, deve ser mais grave do que vir para Minas e não comer pão de queijo...

Um dos ângulos da área externa da casa de banhos.
Felizmente, os dias de verão são muito longos na Hungria.
Um belo entardecer às 9h da noite.

E outro ângulo da área externa.
Uma das pessoas  de costas sou eu.

Onde ficam os banheiros, armários e vestiários.
E a triste hora de ir embora...

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

comilanças: langós na Hungria

Almoço de primeira: lángos, sopa (que veio de brinde) e cerveja
Eu simplesmente amo pizza. Disparado, minha refeição preferida.
E quando chegamos na Hungria, descobri uma das maiores delícias do mundo: a pizza húngara - lángos.
Há muitos anos atrás o lángos era feito em um forno parecido com uns fornos de assar biscoito que também já foram comuns no Brasil.  Com o tempo, esse tipo de forno quase deixou de existit, pois é impossível ter um desses em um apartamento ou em uma casa pequena. Ao invés de abrir mão da delícia, os húngaros adaptaram a receita e começaram a fritar a massa ao invés de assar. E como, definitivamente, fritura é sinônimo de sabor, o resultado é maravilhoso!
Ao contrário da pizza tradicional, a versão moderna do lángos recebe o recheio depois da massa ser frita. A versão mais pedida entre os húngaros é a mais simples de todas: manteiga de alho, uma espécie de iogurte e queijo ralado. Mas como o recheio é colocado na hora, fica tudo à escolha do cliente!
Quando fomos em Szentendre, uma cidadezinha perto de Budapeste, achamos um lugar que produzia a versão tradicional da delícia. É claro que tivemos que provar também, né?
Essa é uma das comidas que já até pesquisei a receita na internet, pois vale a pena a empreitada!
Langós sendo preparado da forma tradicional,
em Szentendre
Hum, água na boca, hein?
Langós de 
Szentendre


No mercado de Budapeste: boca pouco cheia
durante a comilança - ao fundo, a placa do bar
especializado (e sempre cheio)



quinta-feira, 30 de junho de 2011

comer, comer (parte I)

O fato de termos alguns amigos húngaros nos ajudou a aproveitar melhor as delícias culinárias de Budapeste, mais do que de qualquer outro lugar. Os pratos mais famosos sempre são destacados em qualquer guia de viagem, mas tenho a impressão que os mais gostosos mesmo sempre passam batido. O mesmo deve acontecer, por exemplo, com um guia do Brasil escrito para gringos. Com certeza, o guia deve dizer que feijoada é um prato muito tradicional, mas será que algum mencionaria outras delícias como pão de queijo, pastel, coxinha (sou vegetariana, mas sei que é gostoso), tutu, caldo de cana? Duvido! E esses húngaros não brincam quando o assunto é comer ou beber! E foi nessas gostosuras que passam batidas pela maioria dos turistas que nós nos perdemos. Só para dar uma água na boca, vou contar sobre algumas delas.

A doçura do comunismo
O comunismo não poderia ter deixado um presente mais gostoso do que esse chocolate. Pois é, o comunismo. Durante o regime comunista, as comidas eram, digamos, "padronizadas" e essa foi uma sobremesa importada da antiga União Soviética, mas que, felizmente, não caiu com a mudança do regime. E a delícia não poderia ser mais simples: queijo cotage com essência de baunilha, coberto com chocolate. Dá até briga! A primeira coisa que fizemos quando chegamos em Budapeste foi ir no supermercado. A foto mostra nossa comprinha!

Amanhã continuo a lista mais suculenta do mundo!


quarta-feira, 29 de junho de 2011

o último egészségedre

Vista do Castelo de Buda:
Rio Danúbio, Parlamento, Ilha de Margarete
Uma semana em Budapeste. Terminamos nosso último dia aqui relendo os guias que ganhamos de nossos amigos húngaros, Linda e Lajos, e chateados por não termos conseguido ir nem em metade de tudo que a cidade tem para oferecer.
Pelo menos, tivemos tempo suficiente para ter mais do que certeza que Budapeste está no topo de qualquer lista.
Estamos terminando de arrumar as malas. Nosso ônibus para Praga sai amanhã de manhã. Nas malas, os deliciosos bolinhos que lembram rocambole, mas que são completamente diferentes (mákos béigle), o chocolate recheado com queijo cotage e baunilha (quem pôde inventar um doce assim tão gostoso?), páprica e... vontade de ficar mais um mês.
Bebendo a última cerveja húngara, me despeço com a primeira palavra (das poucas) que aprendi desse idioma tão bonito e tão impossível de entender: egészségedre
Ponte Széchenyi, a primeira ligação entre Buda e Peste