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sábado, 31 de dezembro de 2011

Veredas

"O senhor sabe o mais que é, de se navegar sertão num rumo sem termo, amanhecendo cada manhã num pouso diferente, sem juízo de raiz? Não se tem onde se acostumar os olhos, toda firmeza se dissolve. Isto é assim. Desde o raiar da aurora, o sertão tonteia. Os tamanhos."

(João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas)

Parque das Sete Cidades, Piauí
Abaixo: "macaco comendo banana"; Acima: "índio de perfil"

Parque das Sete Cidades, Piauí
"Casco de tartaruga" e pequena gruta á direita

sábado, 27 de agosto de 2011

...quando voltarmos...

Há muito pouco tempo da nossa volta - aliás, pouquíssimo - a todo momento algum de nós começa uma diferente frase que sempre começa da mesma forma:  "quando voltarmos para o Brasil..."
E as mais diversas ideias e planos passam pela nossa cabeça, a todo momento. Começar a valorizar mais as pequenas coisas, comer mais em casa, mudar de cerveja, ter vasinhos de flores para colocar na sala da casa que ainda não temos. Planos com relação a pessoas, a coisas, a atitudes.
"...quando voltarmos vamos comprar duas bicicletas..."
Sem dúvidas, mudamos muito com todo o processo dessa viagem. Acho, mudamos para melhor. Hoje consigo olhar para as coisas ao meu redor e pensá-las em suas devidas proporções. Sem sofrer por aquilo que não merece. Sem dar um valor indevido a uma coisa em si. Aliás, que triste são as coisas quando consideradas em si mesmas.
Comecei um texto sobre os inúmeros planos e expectativas que andam por nossas cabeças nos últimos dias e terminei dando uma grande volta. Em Amsterdam, sem a menor dúvida a cidade mais vibrante e bonita que já conhecemos, difícil não imaginar como tudo vai estar / ser quando voltarmos.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

um lar na Polônia

Depois de tanto tempo "morando" em hotéis e, mais ainda, depois de tanto tempo sem ter um lar só para nós dois - já faz mais de um ano desde que devolvemos a chave do apartamento que durante três anos chamamos de nosso - lembramos como é ter um lar.
Graças aos baixíssimos preços da Polônia, reservamos um hotel de luxo sem saber que o fazíamos. Detalhe importante: pagando a mesma quantia que pagamos durante toda a viagem para ficar em hotéis/albergues bem maomenos. Ah, e também não nos demos conta quando fizemos a reserva que, ao invés de "hotel" estava escrito "apart-hotel".
Por sorte (ou destino?) tudo isso aconteceu nas últimas semanas de nossa viagem. Escrevo do que, conclui, ser o apartamento dos meus sonhos. Pequeno, moderno, mas simples e com tudo que precisamos dentro.
Cheguei a concordar com ele de que morar em um hotel deveria ser ótimo. Mas, desde que entramos no apart-hotel voltei atrás com tudo. Não me lembrava como era ter uma sala, uma cozinha. Ou melhor, nada como ter um lugar para chamar de lar. Só temos mais três semanas. Estou triste porque nossa viagem vai acabar, pois tudo tem sido maravilhoso, mas estou com saudades das pessoas que amo.
Agora, também estou com saudades de um lar que vamos voltar a ter.
Café da manhã

No sofá da sala - se a gente pedir muito, será
que alguém deixa a gente ficar?

sexta-feira, 17 de junho de 2011

a casa da semana

Sem casa, sem endereço. Cada vez que vamos de um país para outro, é como se mudássemos de casa. E hoje, nos mudamos outra vez. De Istambul, para Viena.
A impressão que tenho é que o avião que nos trouxe de lá para cá atravessou um universo paralelo e agora estamos, por assim dizer, em outro mundo. Da confusão de Istambul, para a beleza tão pacífica e amigável da Áustria.
Chegamos, depois de uma longa e desconfortável viagem. Mas como valeu a pena!
Viena, nosso lar por alguns dias. Depois de apenas umas poucas horas aqui, já me pergunto porque temos tão pouco tempo, porque não meses ao invés de dias.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

recapitulando...

Mais de uma semana de viagem já se foi.
Nossos dias em Verona passaram em branco por aqui: a pensão que ficamos não tinha internet e a única lan-house que achamos na cidade estava sempre fechada.
Mas antes de contar sobre a cidade em si, aqui vão nossas primeiras estórias.
Ficamos hospedados em uma pensão, que escolhemos, principalmente, por ser no meio do caminho entre a estação de trem e o centro histórico – pois é, viajar por quatro meses é sinônimo de bagagens pesadas, mesmo no nosso caso, que temos poucas coisas. Depois de dias de sol intenso, Veneza se despediu de nós debaixo de muita chuva – da mesma forma como Verona nos recebeu. Nessas condições, o caminho da estação até a pensão (Arena Artisti) pareceu inacabável.
Quando finalmente chegamos, tivemos uma recepção super amigável da dona casa, Ornela, que mora com seus três lindos gatos (antes que perguntem: é claro que eu me acabei de tanto brincar com eles!) Saímos para almoçar e voltamos para fazer a sesta (ah, esses italianos são tão sensatos, não há como não querer aderir à cultura). Quando voltamos para a pensão, descobrimos que existe uma relativamente grande comunidade budista em Verona e que o ponto de encontro para as três sessões diárias de meditação era... na sala, ao lado do nosso quarto! Com todo o cansaço, dormimos embalados por mantras cantados em uma sincronia invejável. Depois do descanso, os mantras seguiam a todo vapor. Saímos para ver melhor a cidade e, na volta, outra surpresa: ao invés da comunidade budista e seus oms, a sala – lembrando: ao lado do quarto – era agora o espaço de uma festa. Logo pensei que, apesar dos risos altos e falatório, todos deviam estar bebendo chá e falando sobre shacras, nirvana, kundalini e et ceteras do gênero. Que nada. Aceitamos o convite para nos juntarmos ao grupo: vinho, macarrão apimentado, doce com gim. A tal dona da pensão fez, junto com um amigo, a apresentação de uma peça de ópera. Os dois, cantores líricos profissionais, vão se apresentar num teatro da cidade. Nada mal terminar mais de três horas de meditação com uma festa.
E terminamos assim nosso primeiro dia em Verona: exaustos, um pouquinho altos, muito cheios... e felizes.


Arena de Verona

sexta-feira, 13 de maio de 2011

De 12 para 25

De doze para vinte e cinco graus. De ruas sujas do centro, cheirando a álcool no Liberties, para as ruas alagadas onde as gôndolas passam. Saímos de casa em Dublin às quatro e meia da manhã, com muita ressaca de Guinness. Esquecemos duas malas no táxi e se não fosse pelo fato de o taxista ter meu celular, perderíamos o avião. Esqueci como o calor é chato, e também como é extremamente gostoso tomar uma cerveja na rua ensolarada, longe das tabernas célticas. Nosso primeiro dia na Itália, saboreando uma pizza veneziana e pensando como é bom vir dalí praquí
O Canal Grande de Veneza
   

quarta-feira, 11 de maio de 2011

(re)começando

Quando o dia amanhecer no Brasil e alguém, por vontade ou acaso, ler esse texto... ao que tudo indica estaremos em Veneza! Será o ponto de partida de quatro meses de viagem.
Outra mudança e outro começo.
Quando saímos de Belo Horizonte, onde tínhamos tudo "pronto" para começar do zero na Irlanda, confesso que, apesar das várias dificuldades, tive uma sensação boa ao descobrir que a ideia de pertencimento é mesmo apenas uma ideia, um sentimento, e não algo físico. E sinto de forma muito profunda meu pertencimento à Belo Horizonte, à Minas Gerais, ao Brasil. Mas, definitivamente, não é nada físico, algo que me impeça o movimento -  como uma árvore que não pode "apreciar a vista" da outra esquina.
Apesar de estarmos, outra vez, deixando nossos empregos, apartamento, roupas e et ceteras para trás, a sensação que tenho agora é bastante diferente. Quando chegamos na Irlanda restabelecemos uma rotina e, mesmo sendo tudo muito diferente do Brasil, ainda assim era uma rotina. Ainda tínhamos uma casa, endereço, celular, conta no banco, horários, compromissos... Claro que não tão simples assim, mas de certa forma trocamos uma rotina por outra. E de hoje até setembro não teremos mais nada disso. Ah, que sublime a sensação de tirar a bateria do celular e de guardá-lo no fundo da mala! Sem compromissos, sem horários, sem chamadas inesperadas.
Enfim... esses dois não estão mais em Dublin. Estão aqui e ali.