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domingo, 15 de julho de 2012

comidas: pastel de Belém em Portugal

Em Lisboa, depois de uns minutinhos de bonde se chega ao encantador bairro Belém. E o que fazer em Belém? Bem, pode-se começar pelo Mosteiro dos Jerônimos, depois ir para a Torre de Belém, e ainda conhecer o Padrão dos Descobrimentos - cada um desses passeios merece um texto próprio. Mas nada disso importa perto da gostosura sem explicação dos pastéis de Belém! O pastel de Belém é conhecido mais popularmente como pastel de nata - e só os que são produzidos em Belém, na Única Fábrica de Pastéis de Belém - o primeiro lugar a produzir a gostosura é que pode chamá-los "de Belém".
Dizem que a receita original é guardada a sete chaves... talvez por isso a confeitaria fique sempre tão cheia. E com apenas noventa e cinco centavos de euro matamos nossa vontade! Não se engane julgando que a cara do doce não parece o mais convidativo do mundo! Com uma boa xícara de café, o doce feito à base de massa folhada, ovos e açúcar é de arrasar... a principal dica? Vá com fome e se jogue!

Fachada externa do Mosteiro dos Jerônimos.

Torre de Belém


O Padrão dos Descobrimentos (esquerda) e a ponte sobre o rio Tejo.


De fora não parece ser tão grande (e ter tantas delícias) -
Modestamente: a
única fábrica dos pastéis de Belém.


Alguns dos vários salões da confeitaria quase labiríntica.

Eis a delícia!!



domingo, 11 de março de 2012

pão de queijo internacional

Quando morávamos fora do Brasil, todos sempre perguntavam se não estávamos morrendo de saudades das comidas daqui - principalmente, porque somos de Minas, um estado com uma culinária para lá de peculiar. Aliás, compramos um guia do Brasil feito para gringos e eles dividem a comida brasileira em quatro grupos: culinária amazônica, gaúcha, baiana/nordestina e mineira!
Acho que nunca morremos de tanta saudade por dois motivos muito simples. O primeiro deles é que somos muito adaptáveis, sem muitos hábitos tão arraigados. Posso passar meses (talvez até anos) sem comer arroz com feijão sem ficar em nada abalada. O outro motivo é que, quando morávamos em Dublin, sempre comíamos em casa. Assim, quando dava vontade de comer alguma coisa, era só fazer! 
Uma das pouquíssimas coisas que nos fez ficar aperreados, foi a falta de pão de queijo. As lojas de produto brasileiro vendiam a massa pré-pronta da Yoki, mas definitivamente... não foi aprovada. Nossa vida mudou quando nossa querida amiga Áurea compartilhou uma receita adaptada para os produtos disponíveis no mercado europeu. Essa semana repeti a receita para relembrar desse gostinho delicioso que tanto nos salvou quando o banzo insistia em chegar...
Então, resolvi compartilhar! E já aviso mesmo para os paladares mais tradicionais: a receita é nada convencional, mas o resultado é ótimo! 
A parte mais difícil é saber qual queijo usar para substituir o queijo minas. Na Europa existe um queijo muito comum na Irlanda e no Reino Unido, chamado Irish Cheddar. Apesar do nome, ele nada se parece com o cheddar que conhecemos e lembra bastante alguns tipos de parmesão (mas bem menos "ácido"). Então, lá vai:
- 500g de matured irish cheddar (é claro que no Brasil a receita é feita com o ingrediente mais importante: uma peça de queijo minas curado)
- 500g de polvilho doce (uma passadinha nas lojas de produtos brasileiros é indispensável!)
- 4 ou 5 batatas médias
- 2 ovos
- 200g de iogurte grego (tem uma consistência entre o iogurte e o creme de leite e é delicioso. Para fazer a receita no Brasil, substituí por iogurte natural - pouco menos de um copinho).

** Descasque e cozinhe as batatas com sal. Depois de cozidas, retire e amasse com um garfo. Misture às batatas o queijo ralado, os ovos e o iogurte grego. Mexa até a massa ficar homogênea. Depois, vá acrescentando o polvilho aos poucos. Faça as bolinhas e asse no forno pré-aquecido até dourar. O pão de queijo fica "rendado" por dentro e com uma casquinha bem crocante embaixo. Então... deliciem-se!
Nosso companheiro, onde quer que estejamos.
Eu gosto mais queimadinho, então sempre deixo uns minutinhos a mais no forno.


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

comilanças: langós na Hungria

Almoço de primeira: lángos, sopa (que veio de brinde) e cerveja
Eu simplesmente amo pizza. Disparado, minha refeição preferida.
E quando chegamos na Hungria, descobri uma das maiores delícias do mundo: a pizza húngara - lángos.
Há muitos anos atrás o lángos era feito em um forno parecido com uns fornos de assar biscoito que também já foram comuns no Brasil.  Com o tempo, esse tipo de forno quase deixou de existit, pois é impossível ter um desses em um apartamento ou em uma casa pequena. Ao invés de abrir mão da delícia, os húngaros adaptaram a receita e começaram a fritar a massa ao invés de assar. E como, definitivamente, fritura é sinônimo de sabor, o resultado é maravilhoso!
Ao contrário da pizza tradicional, a versão moderna do lángos recebe o recheio depois da massa ser frita. A versão mais pedida entre os húngaros é a mais simples de todas: manteiga de alho, uma espécie de iogurte e queijo ralado. Mas como o recheio é colocado na hora, fica tudo à escolha do cliente!
Quando fomos em Szentendre, uma cidadezinha perto de Budapeste, achamos um lugar que produzia a versão tradicional da delícia. É claro que tivemos que provar também, né?
Essa é uma das comidas que já até pesquisei a receita na internet, pois vale a pena a empreitada!
Langós sendo preparado da forma tradicional,
em Szentendre
Hum, água na boca, hein?
Langós de 
Szentendre


No mercado de Budapeste: boca pouco cheia
durante a comilança - ao fundo, a placa do bar
especializado (e sempre cheio)



comilanças: pierogi na Polônia

O prato mais famoso da Polônia é o pierogi. É parecido com um ravióli, mas é só aparência... A massa é bem diferente, bem mais pesada - além de poder ser cozido ou frito. E, a diferença principal: não tem molho! Isso mesmo: para comer o pierogi você até pode pedir por um molho, mas ele vem em uma vasilha separada e você mergulha o pierogi lá. E os molhos são bem simples, um dia comemos apenas com manteiga derretida.
Os recheios são os mais variados possíveis. As opções mais comuns são bacon com batatas,  carne de porco, repolho ou cogumelos selvagens - delícia!
Como somos meio esfomeados, a primeira vez que fomos em um restaurante provar o tão famoso prato, pensamos que tínhamos sido enganados... cada porção vinha com nove ou doze unidades. Pedimos o com nove (um para cada um) só porque a garçonete falou que era mais do que suficiente. Quando chegou, falamos ao mesmo tempo: "ih, mais uma vez nossa fome foi subestimada, isso aqui tá muito pequeno..." Mas custamos a comer tudo, porque a massa é mesmo muito diferente de tudo que já provamos antes, e bem mais pesada.
Mas a delícia polonesa foi super aprovada e repetimos a dose várias dias para experimentar as diferentes versões. Por ser um prato muito tradicional, é muito fácil de achar - além de ser muito barato.
O restaurante mais famoso de Cracóvia e Varsóvia é o Zapiecek (fotos abaixo). As funcionárias trabalham com roupas típicas e a decoração é linda! Ah, o mais importante: tudo que comemos estava delicioso!
Hum, deu água na boca de lembrar!
Um prato super suculento de pierogis!
E as garçonetes do Zapiecek.


O cartaz do Zapiecek com outras comidas típicas polonesas que estão no cardápio:
pierogi, uma carne que não sei qual é (não é meu departamento),
uma espécie de panqueca, sopa, e um "cachorro quente aberto".
Para quem tiver disposição: se deu água na boca, no site do Zapiecek você pode aprender a receita tradicional do pierogi. Se o polonês não estiver afiado, a barra de tradução do google ajuda muito!
E também é possível ver o cardápio clicando aqui. A Polônia não faz parte da zona do Euro, então não se esqueça de converter os valores e dar um grande sorriso quando ver o preço em reais...

domingo, 27 de novembro de 2011

prato cheio

Há alguns anos atrás conhecemos um casal "internacional" que estava morando aqui em Belo Horizonte. Um  austríaco e uma alemã. Em certa ocasião, eles ganharam uma cesta de frutas e eu, que acompanhava curiosa a cena, fiquei impressionada: eles nunca tinham comprado nada que já não conhecessem antes. E - claro - foi ótimo ver a "boca boa" que eles faziam quando provavam cada uma das novidades.
"- Mas por que vocês nunca compraram nada de diferente antes?", perguntei.
"- Porque não sabíamos como se comia essas coisas..."
No início, fiquei encucada com a resposta. Como assim, "não sabia como se comia?" Depois, até entendi. Vai que eles resolviam comprar um pequi achando que era algum parente distante de um pêssego, por exemplo. Hospital, na certa.
Mas acho que nós acabamos nos arriscando mais do que eles, pois provamos tudo de diferente que nos aparecia.
Vou (tentar) nos próximos dias mostrar algumas das "experiências do paladar"!
Abraços de quem ainda está por aqui!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

preparação para a comilança

Um ano fora do Brasil e eu juro que não sofri com coisas que todo brasileir@ sofre quando está longe de casa. Vivi bem sem comer arroz com feijão todo dia, (aliás, aqui só comemos feijão enlatado que ficava gostoso e tudo, mas estava longe de ser a mesma coisa), couve, palmito, açaí, pastel, farofa, caldo de cana... É claro que às vezes dava vontade, mas passava rápido.
Hum... delícia!
Agora, com as malas prontas (e isso não é uma metáfora, já estão 99% prontas mesmo) estou morrendo de vontade de comer tudo! Ontem lembrei de como, por exemplo, palmito é uma delícia e quase tivemos um ataque! Aí, já viu... só comendo alguma outra coisa muito gostosa para esquecer. Ele atacou uma caixa de chocolates e eu...

quinta-feira, 30 de junho de 2011

comer, comer (parte I)

O fato de termos alguns amigos húngaros nos ajudou a aproveitar melhor as delícias culinárias de Budapeste, mais do que de qualquer outro lugar. Os pratos mais famosos sempre são destacados em qualquer guia de viagem, mas tenho a impressão que os mais gostosos mesmo sempre passam batido. O mesmo deve acontecer, por exemplo, com um guia do Brasil escrito para gringos. Com certeza, o guia deve dizer que feijoada é um prato muito tradicional, mas será que algum mencionaria outras delícias como pão de queijo, pastel, coxinha (sou vegetariana, mas sei que é gostoso), tutu, caldo de cana? Duvido! E esses húngaros não brincam quando o assunto é comer ou beber! E foi nessas gostosuras que passam batidas pela maioria dos turistas que nós nos perdemos. Só para dar uma água na boca, vou contar sobre algumas delas.

A doçura do comunismo
O comunismo não poderia ter deixado um presente mais gostoso do que esse chocolate. Pois é, o comunismo. Durante o regime comunista, as comidas eram, digamos, "padronizadas" e essa foi uma sobremesa importada da antiga União Soviética, mas que, felizmente, não caiu com a mudança do regime. E a delícia não poderia ser mais simples: queijo cotage com essência de baunilha, coberto com chocolate. Dá até briga! A primeira coisa que fizemos quando chegamos em Budapeste foi ir no supermercado. A foto mostra nossa comprinha!

Amanhã continuo a lista mais suculenta do mundo!


domingo, 26 de junho de 2011

ranking de mercados

Sempre fomos fãs do Mercado Central de Belo Horizonte, apesar de nem irmos lá com a frequência que gostaríamos. Para mim, um mercado pode facilmente ser o lugar mais divertido de uma cidade. O ambiente descontraído, os bons preços, a comida com gostinho de caseira. Por isso, onde quer que estejamos, se tem um mercado, com certeza não vamos deixar de conhecê-lo.
Meu ranking, por ora, é o seguinte:

BRONZE
Spice Bazaar, em Istambul
Uma das bancas de doces e temperos, no Spice Bazaar
Originalmente, só vendia pimentas e especiarias. Hoje, vende comidas em geral - sobretudo doces. Tem também lojas de presentes, roupas, artigos típicos, joalherias, algumas lanchonetes, mas falta um espaço para cervejas e tira-gostos.

PRATA
Naschmarkt, em Viena
Azeitonas de cair o queixo
Quase dois quilômetros de mercado, com três corredores paralelos. Esse mercado não é coberto, todas as "lojas" são barraquinhas - algumas com mais estrutura, outras bem simples. Vende temperos, comidas típicas, azeitonas, lanches, pães, bebidas, frutas, vegetais... e ainda roupas, acessórios, souvenirs. Além de ter bares e restaurantes que funcionam noite a dentro. Aos sábados, o mercado quase dobra de tamanho com uma feirinha de coisas usadas em geral.
Vista do mercado


OURO
Great Market Hall, Budapeste
O campeão, em Budapeste
Para começo de conversa, nunca vi um mercado em um prédio tão bonito. Três andares para alegrar todo tipo de gosto. O andar principal vende frutas, verduras, comidas e bebidas típicas, presentes, doces. O andar de baixo tem algumas lanchonetes, açougues, peixarias e mais verduras. O andar de cima é o mais divertido: ao lado das lojas de presentes típicos, roupas, artigos em couro e forros de mesa bordados em linho, estão os bares! Com bebidas e comidas para os mais diversos paladares e, o principal: tudo muito barato e delicioso!
Nem é preciso explicar mais porque esse mercado ganhou posição tão privilegiada na minha lista.
Ah, é claro que almoçamos lá todo santo dia desde que chegamos em Budapeste. Mas isso já merece outro texto...


sexta-feira, 10 de junho de 2011

Experiências Atenienses: cervejas mitológicas e desbravando a cozinha grega

Depois de um dia de muito sol, fomos tomar uma Mythus, a melhor cerveja grega (quiçá a melhor melhor cerveja depois da Guinness), no bar do Costas. Bem, o dinheiro curto, claro, porque o filósofo não ganhou nada na Acrópole. Bem, isso em Atenas não nos foi um problema, já que um senhor muito simpático que não conhecemos nos pagou duas cervejas. Como estávamos virando fregueses assíduos, comentei com Kaka que "se bobear o Costas nos paga uma gelada eim?". Não é que ele chegou com duas mitológicas e disse: "essas são de graça, daquele senhor, não sei porque, mas disse ele que vai pagar bebida pra vocês". A melhor explicação é que os gregos são extremamente legais. Uma pena a língua ser tão distante e dificultar um bom e velho papo no buteco com o cara que sem mais nem menos pagou duas pros dois aqui.
Já no dia seguinte, no Monastikari, um bairro histórico e bastante interessante de Atenas, conhecemos a cozinha de um restaurante cujo chefe conhecia o Braganino (entenda-se o Bragantino, time de SP). Estávamos passando na rua e ele perguntou se queríamos comer. Disse que já tínhamos almoçado e ele insistiu que conhecêssemos a cozinha, só pra ver como se faz a tradicional comida grega. Inhamiiii Inhammmi, quase comemos de novo.  
as mitológicas
No mercado de pulgas em Monastikari

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Feta, Pita e Mythos

Depois de menos de duas horas de vôo, um pouco sonolento devido ao vinho no avião, a Grécia já se mostrou bela de cima. Não vimos nada em Atenas ainda, mas tivemos nossa primeira refeição com duas coisas que sempre quis comer aqui: o autêntico queijo feta e o delicioso pão pita. Comíamos isso todo dia em Dublin, mas o original é sempre muito mais saboroso, incomparável (como o macarrão a bolonhesa em Bologna!). Um pequeno banquete num simpatissíssimo restaurante num quarteirão perto da praça Omonia, onde descemos do metrô. E a cerveja grega é tão boa quanto o vinho. Desde quando li Homero pensava se os banquetes gregos na época helênica eram realmente incríveis. Ah, mas deveriam mesmo ser.


quarta-feira, 1 de junho de 2011

despedida à bolonhesa

Embaixo de um dos arcos que
obrem as ruas do centro de Bolonha
Depois de 20 dias na Itália, amanhã nos despediremos desse país que tão bem nos acolheu. De Bolonha rumo à Atenas, para começar a segunda parte da nossa viagem.
Na cidade onde foi inventado o tão famoso molho à bolonhesa, não pude deixar de experimentar mais algumas pizzas - deixei a tarefa do prato principal para o um aqui do meu lado.
A despedida não poderia ser em um lugar melhor: a cidade com menos turistas pela qual passamos, charmosa, acolhedora. Um lugar que, mesmo se por aqui estivéssemos após uma longa temporada, ainda teríamos coisas para descobrir. 
Hora de ir, de novamente fechar as malas.
Hora de mais um arrivederci.