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sexta-feira, 29 de junho de 2012

a vida no sertão

Exatamente dois meses depois do último texto, cá venho eu dizer que o blog ainda existe. É que às vezes a rotina nos leva para outros afazeres. No nosso caso, nem é bem uma rotina ainda: estamos em fase de criação da tal rotina. Parece. Não combina muito com nosso sangue cigano, mas agora temos uma residência fixa. Mas ainda estamos "longe de onde está nosso coração". Hoje, quando me perguntam qual é meu endereço, me sinto feliz por ter uma resposta certa para dar. Mas continuamos para lá e para cá - quer dizer, aqui e ali - e a nossa quilometragem com viagens (em terra ou em ar) ainda cresce de forma acelerada. E nossas malas continuam não aguentando o pique de tanto vai e vem. (Quem um dia criará de fato uma mala própria para viagens? Quer dizer, alguma que aguente - e goste - de viajar como nós?)
Olhar para a foto que fica aí do lado e ver nossos pés na neve me parece algo muito distante. Como é mesmo o frio da Irlanda? Os 37º da linha do Equador fazem qualquer ideia de frio desaparecer.
Dia desses estava escolhendo umas fotos para revelar e lembrei de tanta coisa que ainda quero escrever aqui.
Mas por hoje... é só. Meio confuso e embaralhado. Será culpa dos 37º? Talvez. 
Um ótimo final de semana a todos!
Não há ó gente, ó não
Luar como esse do sertão...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

roteiros de viagem

Com a queda do preço de passagens aéreas para a Europa, a baixa temporada do Velho Mundo nunca deve ter sido tão movimentada. E os preços eram mesmo tentadores: R$ 1600 para passagens de ida e volta para a Rússia? E quase toda Europa por R$ 1400. Nada mal...
Acabamos dando algumas dicas para alguns marinheiros de primeira viagem que não se importaram com o rigor do inverno europeu. E, pela primeira vez, achei difícil dar certas opiniões. Porque fizemos uma viagem muito longa, gastando pouco e muito divertida. Ou seja: melhor impossível! Mas "se pão ou pães, é tudo uma questão de opiniães" às vezes fico receosa em indicar algum passeio, lugar ou hotel que adoramos. Afinal, experiências, expectativas, olhares são sempre únicos.
É claro que certas dicas são bem gerais e aqui vão algumas delas:
- certifique-se de providenciar todos os requisitos legais obrigatórios para a entrada nos países que pretende visitar. Brasileiros não precisam de visto para entrar como turistas nos países da União Europeia e em vários outros (Turquia e Rússia, por exemplo). Apesar disso, alguns países exigem um seguro de saúde válido para todo o período da estadia, outros podem pedir que o turista comprove que tem dinheiro suficiente para se manter sem trabalhar durante todo o prazo da viagem, ou podem perguntar o nome e endereço do hotel reservado. Como cuidado nunca é demais, se você está indo para a Europa, mas o inglês anda mal das pernas* anote todas essas informações e tenha-as sempre à mão. De preferência, imprima a reserva dos hotéis, a confirmação do seguro de viagem e, se começarem a perguntar demais no guichê da imigração, mostre tudo!
Florença, Itália
- não leve muitas coisas! As roupas "de lá" geralmente são mais baratas do que as "daqui". Especialmente para quem decidiu aproveitar as promoções de passagens para o inverno: pelo menos em Minas Gerais e região, nunca vi roupas quentes o suficiente para o frio Europeu. Escolha uma peça mais quente para o voo e, ao chegar, compre um casaco mais adequado (e lembre-se que aqui no país tropical, não precisamos de tantas roupas de frio!)
- não é tão fácil comprar remédios fora do Brasil. Anticoncepcionais, por exemplo, só em Portugal a venda sem receita médica é liberada. Então, leve todos os remédios que podem ser úteis durante a viagem.
- compre um guia! De preferência, algum que tenha também um mapa das cidades que você deseja conhecer. Para quem lê em inglês, os guias costumam ser bem mais baratos lá do que aqui.
- explore a culinária local! Sempre foi ótimo conhecer comidas e bebidas diferentes! 

Acho que é isso... se lembrar de mais alguma coisa, adiciono depois.
Para quem vai... bon voyage!!

* Na Itália e na Espanha, pode não ser difícil entender italiano e espanhol ou catalão (no caso da região da Catalunha, cuja capital é Barcelona), mas acredite... para eles nem sempre é fácil entender nosso português! 


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

planos não planejados

Antes de voltarmos, falávamos sempre um para o outro que não pararíamos de escrever aqui. Agora, pensamos ainda no quanto queremos escrever, mas como, muitas vezes, os "deveres" do dia-a-dia nos impedem de levar esse plano a cabo.
E são mesmo os planos que passam pela minha cabeça nesse momento. Ele sabia que queria dar aulas de inglês quando voltássemos. Eu não sabia tanto assim. Das poucas coisas que eu achava que sabia, descobri que umas tantas estavam erradas. Por exemplo, que passaríamos as festas de final de ano com nossas famílias, que provavelmente ficaríamos algum tempo sem viajar.
E lá vamos nós, para o Piauí. Passagem (de ida) comprada, alguns hotéis reservados, e a sociologia e a filosofia - há algum tempo afastadas do nosso convívio - são o tema absoluto desses nossos dias. A ideia que me assustava no início, me aparece agora como uma feliz possibilidade. 
O que me impulsiona? A herança do sangue cigano, que tem dificuldades de se estabelecer em um só lugar, ou a herança do sangue nordestino, que me leva para climas sertanejos. Ou simplesmente a vontade de recomeçar não em algum lugar - como seria em Belo Horizonte -, mas com algum lugar.
Seja lá o que for... por um mês ou, quem sabe, mais do que isso... em breve, os dois "aqui" vão mandar notícias do Piauí.
Em Bruges, na Bélgica
Acreditem, ainda não vimos a maioria de
nossas fotos. Ontem, "descobri" esta.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Dois aqui

no caminho para Aegina, na Grécia.
Uma das poucas fotos que temos juntos
porque tenho vergonha de pedir para
os outros. E ela me aguenta.
Eu tenho mania de sempre limpar a tela do computador e conferir meu extrato bancário. Ela fica nervosa quando está com fome. São pouco mais de nove meses desde que deixamos o terceiro andar da Belmiro Braga. Lá, éramos três e por três anos cozinhamos, limpamos a casa e ouvíamos música até tarde comendo petisco e tomando cerveja. Desde que deixamos Dublin, passamos as vinte e quatro horas do dia juntos. Quando começamos nossa viagem de 120 dias pensei que seria para mim uma experiência existencial. Aprender a se encontrar e descobrir o que vale o lugar onde está não é um clichê de livros de auto ajuda. É na verdade uma coisa séria e difícil. Tenho descoberto que sou mais complicado do que imaginava, e ela me salva de um completo desastre. Depois desses 120 dias só espero ter aprendido a pelo menos dizer obrigado. Obrigado por  estarmos a mais de seis anos juntos. No caminho de Tessalônica para Istambul conhecemos um casal de mais ou menos sessenta anos. Perguntei se estavam viajando fazia muito tempo. "Há 36 anos, quando nos conhecemos e nos casamos na Bolívia". Olhei pra ela e disse que era exatamente o que eu sonhava para os dois...