quinta-feira, 27 de outubro de 2011

planos não planejados

Antes de voltarmos, falávamos sempre um para o outro que não pararíamos de escrever aqui. Agora, pensamos ainda no quanto queremos escrever, mas como, muitas vezes, os "deveres" do dia-a-dia nos impedem de levar esse plano a cabo.
E são mesmo os planos que passam pela minha cabeça nesse momento. Ele sabia que queria dar aulas de inglês quando voltássemos. Eu não sabia tanto assim. Das poucas coisas que eu achava que sabia, descobri que umas tantas estavam erradas. Por exemplo, que passaríamos as festas de final de ano com nossas famílias, que provavelmente ficaríamos algum tempo sem viajar.
E lá vamos nós, para o Piauí. Passagem (de ida) comprada, alguns hotéis reservados, e a sociologia e a filosofia - há algum tempo afastadas do nosso convívio - são o tema absoluto desses nossos dias. A ideia que me assustava no início, me aparece agora como uma feliz possibilidade. 
O que me impulsiona? A herança do sangue cigano, que tem dificuldades de se estabelecer em um só lugar, ou a herança do sangue nordestino, que me leva para climas sertanejos. Ou simplesmente a vontade de recomeçar não em algum lugar - como seria em Belo Horizonte -, mas com algum lugar.
Seja lá o que for... por um mês ou, quem sabe, mais do que isso... em breve, os dois "aqui" vão mandar notícias do Piauí.
Em Bruges, na Bélgica
Acreditem, ainda não vimos a maioria de
nossas fotos. Ontem, "descobri" esta.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Braganino

Ontem matando a saudade de assistir a um jogo de futebol com meu pai que, por sinal tem dito ter abandonado o futebol repetidamente a 12 anos, me lembrei de uma tarde muito engraçada em Atenas. Em todo lugar que estivemos a resposta a "você é brasileiro?" sempre vinha seguida de um desconfortante "yeah, I know Ronaldinho". Um saco. Mas no Monastikari, o bairro charmoso abaixo da Acrópole, o dono do restaurante respondeu: "yeah, I know Braganino". E olha que o time paulista do Bragantino nem sequer joga mais na primeira divisão!


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Três semanas depois

Há exatas três semanas, ainda com um pouco de ressaca de cervejas belgas, pegávamos o vôo para São Paulo. Depois de horas em ônibus poloneses, perdemos a noção do que considerar uma viagem longa. Doze horas foram rápidas, mas o tempo de espera em São Paulo para vir até Belo Horizonte, essa cidade que comecei a odiar uns meses antes de me mudar para Dublin. Continua a mesma. Após um ano fora daqui, soa inevitavelmente arrogante dizer que as grandes cidades brasileiras se tornaram inabitáveis. Belo horizonte um exemplo mor. Inevitavelmente verdadeiro também.
Em Amsterdam, bicicletas a perder de vista...
Ao fundo, o Palácio Real
A novidade é pensar no Nordeste. Piauí talvez. Um pensamento ainda distante mas deixando de ser verde, amadurecendo após três semanas que já se parecem tão longas quanto o ano que se foi. Não conseguimos ficar parados.
Rever amigos e família nos foi uma experiência incrível (e continua sendo, já que ainda não revimos todos). Mas a saudade das poucas horas de tempo bom irlandesas vêm a vão. E muitas saudades das bicicletas de Amsterdã  também...

terça-feira, 13 de setembro de 2011

sobre alás e acás

Começamos uma viagem a um ano atrás e o principal objetivo era aprender uma nova língua. Aprendemos muito mais do que isso. Aprendemos - na prática - que, muitas vezes, sutis diferenças no significado de uma mesma palavra podem causar situações um tanto quanto embaraçosas.
O mineirês, que tenho sempre afiado, foi causa de algumas dessas situações. Em Istambul, onde grande parte da população é muçulmana, tive que reeducar meu português para não arrumar um problema. Depois de dois ou três dias com a sensação de que, às vezes, todos os desconhecidos olhares se voltavam para mim, matei a charada: isso sempre acontecia quando eu via alguma coisa que me chamava a atenção e compartilhava usando o termo "alá". "Alá, aquele doce que eu quero comer...", "Alá, que ponte bonita..."
"alá a gatinha que mora com os filhotes na vitrine!"
Todo bom mineiro sabe que "alá" é o mesmo que "olha lá", mas para um muçulmano Alá é o nome de Deus - que, por isso, não deve ser usado em vão. Para quem não fala português, a única parte "entendível" na frase "alá aquele doce..." é o tal do alá. E é óbvio que, por exemplo, apontar para uma comida e dizer uma palavra sagrada pode não soar tão bem.
E no meu primeiro dia em Itabira me lembrei dessa estória ao recordar um termo que, talvez, tenha surgido entre as montanhas e o ferro da cidade onde vivi por tantos anos: acá. Sem o valor sagrado de Alá (com letra maiúscula), mas com o mesmo valor simbólico do meu alá (em minúsculas mesmo), o acá é, para mim, um dos mais importantes marcadores da cultura itabirana.
Nesse um ano, acho que quase me esqueci dessa palavra que, confesso, ainda não me sinto desenvolta o suficiente para incorporar no meu mineirês. Pois é, quase. Cinco minutos de caminhada pela cidade foram suficientes para fazer com que, não só o acá, mas também sobre o jeito de ser dos mineiros. Inigualável a tudo que vimos por todos os lugares que passamos. Inigualável e imperdível!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Último Dia

Hoje é o aniversário do Dindi - que aliás, começou ontem. E começou com as despedidas oficiais... não com as despedidas de cada cidade ou país que nos acostumamos nos últimos tempos, mas com a despedida do continente que nos acolheu no último ano.
Não foi fácil sair do Brasil há um ano, mas não é tão fácil sair daqui agora. Estamos morrendo de saudades da nossa família, amigos, de tantos lugares, músicas (ah, o Terça Nobre que nos aguarde), sabores... mas despedidas são sempre difíceis. E, apesar da experiência que venho acumulando, fazer as malas é sempre árdua tarefa.
Em dois dias estaremos em Belo Horizonte. Ele estará um ano mais velho, mas parece que tanto se passou desde que nos despedimos de todos em Boa Esperança em agosto do ano passado que eu acreditaria se me dissessem que ao invés de 27 ele vai completar um pouco mais.


ele envelhecendo...
...e ela, criança